quarta-feira, 31 de agosto de 2016

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31/08/2016 13h35 - Atualizado em 31/08/2016 14h40

Senado aprova impeachment, Dilma perde mandato e Temer assume

Presidente afastada perdeu mandato por 61 votos favoráveis e 20 contrários.
Senadores rejeitaram pena de inabilitação da petista para funções públicas.

Gustavo Garcia, Fernanda Calgaro, Filipe Matoso, Laís Lis e Mateus RodriguesDo G1, em Brasília
O plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira (31), por 61 votos favoráveis e 20 contrários, o impeachment de Dilma Rousseff. A presidente afastada foi condenada sob a acusação de ter cometido crimes de responsabilidade fiscal – as chamadas "pedaladas fiscais" no Plano Safra e os decretos que geraram gastos sem autorização do Congresso Nacional, mas não foi punida com a inabilitação para funções públicas. Com isso, ela poderá se candidatar para cargos eletivos e também exercer outras funções na administração pública.
A posse de Temer na Presidência da Repúblicavai ser realizada, às 16h, no plenário do Senado.
A decisão de afastar Dilma definitivamente do comando do Palácio do Planalto foi tomada na primeira votação do julgamento final do processo de impeachment. A pedido de senadores aliados de Dilma, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, decidiu realizar duas votações no plenário.
A primeira, analisou apenas se a petista deveria perder o mandato de presidente da República.
Na sequência, os senadores apreciaram se Dilma devia ficar inelegível por oito anos a partir de 1º de janeiro de 2019 e impedida de exercer qualquer função pública.
Na votação, 42 senadores se posicionaram favoravelmente à inabilitação para funções públicas e 36 contrariamente. Outros 3 senadores se abstiveram. Para que ela ficasse impedida de exercer cargos públicos, eram necessários 54 votos favoráveis.
Segundo a assessoria do Supremo, ainda nesta quarta, oficiais de Justiça notificarão a ex-presidente e o presidente em exercício Michel Temer sobre o resultado do julgamento.
Temer deve ser empossado presidente da República ainda nesta quarta, em sessão do Congresso Nacional que será realizada no plenário da Câmara.
Já Dilma deverá desocupar em até 30 dias o Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência, em Brasília, e terá reduzida para oito servidores sua equipe de assessores, seguranças e motorista.
Processo de impeachment
A condenação de Dilma se deu após seis dias de julgamento no Senado. Até o impeachment, houve sete votações no Congresso.
O primeiro parecer foi aprovado na comissão especial da Câmara, em 11 de abril de 2016, por 38 a 27 (veja todas as etapas do processo).

A autorização para a abertura do processo foi dada em 2 de dezembro de 2015, pelo então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, no mesmo dia em que a bancada do PT decidiu votar pela continuidade do processo de cassação contra ele no Conselho de Ética.

Em 12 de maio, o Senado decidiu afastar Dilma, e Temer assumiu a Presidência interinamente. Desde então, o processo de impeachment passou a ser conduzido pelo presidente do Supremo.

Condenação
O pedido de impeachment contra Dilma, apresentado pelos juristas Miguel Reale Júnior, Janaina Paschoal e Hélio Bicudo, apontou que ela cometeu crime de responsabilidade ao editar três decretos de créditos suplementares sem autorização do Legislativo e ao praticar as chamadas “pedaladas fiscais”, que consistiram no atraso de pagamentos ao Banco do Brasil por subsídios agrícolas referentes ao Plano Safra.

Segundo os juristas – e agora o Congresso – Dilma descumpriu a Lei Orçamentária de 2015 e contraiu empréstimo com instituição financeira que controla – o que é proibido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Aliados da petista e seus advogados argumentaram, ao longo de todo o processo, que Dilma não cometeu ilegalidade e que não houve dolo ou má-fé na abertura de créditos suplementares. Além disso, que as chamadas “pedaladas” não são empréstimos, mas prestações de serviços cujos pagamentos foram regularizados após orientações do Tribunal de Contas da União (TCU).

A defesa da ex-presidente afirmou ainda que o processo de impeachment foi aberto como ato de “vingança” do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) por não ter recebido apoio da bancada do PT para barrar o processo de cassação contra ele.
Impeachment de Collor
Esta não é a primeira vez que um presidente da República sofre um processo de impeachment no Brasil. Em 1992, o ex-presidente Fernando Collor foi condenado por crime de responsabilidade por ter utilizado cheques fantasmas para o pagamento de despesas pessoais – como uma reforma na Casa da Dinda, residência em que morava em Brasília, e a compra de um carro Fiat Elba.

Collor renunciou antes da votação final pelo Senado, mas mesmo assim o processo continuou. Atualmente senador pelo estado de Alagoas, ele votou a favor do impeachment de Dilma Rousseff nesta quarta.

Além de Collor e Dilma, todos os ex-presidentes da República desde a redemocratização do país foram alvo de pedidos de impeachment. Mas somente os processos de Dilma e do senador alagoano foram levados adiante.

Momento a momento do impeachment
Relembre etapa por etapa do processo de impeachment de Dilma:

2015
- 2 de dezembro: Cunha anuncia que autorizou abertura de processo de impeachment de Dilma Rousseff.

2016
- 11 de abril: Comissão especial na Câmara aprova por 38 votos favoráveis e 27 contrários parecer do deputado Jovair Arantes (PTB-GO) pela continuidade do processo de impeachment. Caso vai ao plenário principal da Câmara.
- 17 de abril: Plenário principal da Câmara aprova, por 367 votos favoráveis e 137 contrários, prosseguimento do processo de impeachment, que é encaminhado ao Senado;
- 6 de maio: Comissão especial no Senado aprova, por 15 a 5, parecer do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) favorável à abertura do processo de impeachment pela Casa, fase chamada de “admissibilidade da denúncia”. Relatório vai à votação no plenário do Senado;
- 12 de maio: Depois de uma sessão de mais de 20 horas, o plenário principal do Senado aprova, por 55 a 22, a abertura do processo de impeachment pela Casa. Dilma Rousseff é afastada da função por até 180 dias e o vice-presidente Michel Temer assume seu lugar;
- 4 de agosto: Após a requisição de documentos, produção de perícia e depoimentos de 45 testemunhas, a comissão especial do impeachment do Senado decidiu, ao aprovar relatório de Anastasia por 14 votos a 5, que Dilma deveria ser levada a julgamento. A fase, chamada de “pronúncia”, também vai à votação pelo plenário principal;
- 10 de agosto: Plenário principal do Senado decide – por 59 votos a 21 – que a denúncia contra Dilma Rousseff é procedente e que a petista deve ser julgada por crimes de responsabilidade. Com a aprovação do relatório da comissão especial, é concluída a fase de “pronúncia”;
- De 10 a 12 de agosto: Acusação e defesa entregam manifestações finais do processo e listas de testemunhas que escolheram para depor ao Senado. Julgamento é marcado para o dia 25 de agosto de 2016;
- 25 a 27 de agosto: Senado começa julgamento do impeachment de Dilma com o depoimento de testemunhas;
- 29 de agosto: Dilma Rousseff vai ao Senado e reitera que não cometeu crime de responsabilidade e que o processo de impeachment é “golpe” movido por Eduardo Cunha em um ato de “desvio de poder”.
- 30 de agosto: Acusação e defesa fazem últimas manifestações no processo de impeachment e senadores se pronunciam sobre o afastamento de Dilma Rousseff.
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terça-feira, 14 de junho de 2016

Massacre em Orlando

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Mundo



Massacre em Orlando: a maior matança a tiros dos EUA

O presidente dos EUA, Barack Obama, recebe de James Comey (FBI), informações sobre atentado em boate. Desde que Obama é presidente, apesar de suas tentativas de endurecer o controle de armas, todos os anos ocorre pelo menos um massacre com várias vítimas
O presidente dos EUA, Barack Obama, recebe de James Comey (FBI), informações sobre o atentado em boate. Desde que Obama é presidente, apesar de suas tentativas de endurecer o controle de armas, todos os anos ocorre pelo menos um massacre com várias vítimas
O ataque à uma boate gay de Orlando (Flórida, EUA), ocorrido na madrugada domingo (12), é o maior massacre a tiros dos Estados Unidos. Segundo os dados das autoridades norte-americanas, até então esse posto era ocupado pela matança na Virginia Tech, que deixou 33 vítimas em 2007 – incluindo o atirador. Desde que Barack Obama chegou à Casa Branca, em janeiro de 2009, apesar de suas tentativas de endurecer o controle de armas, todos os anos ocorreu pelo menos um massacre com várias vítimas por disparos de armas de fogo.
Confira abaixo os taques mais recentes e os que mais comoveram o país, listados pelo site de ‘El País’, que nesses anos reabriu o debate – sem fruto algum de avanço – sobre a regulamentação da posse de armas.
12 de junho de 2016
Pelo menos 50 pessoas morrem e outras 53 ficam feridas em um ataque a uma boate gay em Orlando, Flórida. As autoridades confirmaram que um homem armado entrou na casa noturna por volta das duas da madrugada (hora local) e disparou contra os clientes. Quando a polícia tentou dominá-lo, o atacante regressou ao interior e se entrincheirou com vários reféns. Estava armado com um fuzil de assalto e um “artefato” que os peritos explodiram depois. As autoridades informaram que o atacante, identificado como Omar Mateen, de nacionalidade norte-americana, morreu.
2 de dezembro de 2015
Um tiroteio em uma unidade de serviço social da cidade de San Bernardino, na Califórnia, deixa 14 mortos e quase uma vintena de feridos. O ataque foi perpetrado por um casal que morreu horas depois em uma troca de tiros com a polícia a vários quilômetros do lugar da tragédia. Foi a pior matança dos Estados Unidos desde a morte de 27 pessoas em uma escola infantil em Newtown, Connecticut.
27 de novembro de 2015
Três pessoas são mortas e outras nove feridas no ataque de Robert Dear a uma clínica de Planejamento Familiar em Colorado Springs, Colorado. Um dos mortos é o policial que o enfrentou. Dear manteve os pacientes dessa clínica médica como reféns durante cinco horas.
1 de outubro de 2015
Uma dezena de estudantes morrem a tiros na Universidade de Umpqua, em Oregon. O responsável pela matança, identificado como Chris Harper Mercer, tinha 26 anos e morreu durante troca de tiros com a polícia.
16 de julho de 2015
Cinco membros do Exército morrem em um ataque a duas unidades militares distintas em Chattanooga, Tennessee. O atirador foi identificado como Mohamed Youssuf Abdulazeez, de 24 anos.
18 de junho de 2015
A tragédia chega a uma igreja da comunidade afro-americana em Charleston, Carolina do Sul, quando um jovem supremacista dispara contra os fiéis que acompanhavam uma leitura da Bíblia. Nove pessoas morrem, incluindo um senador estadual.
23 de maio de 2014
Um universitário assassina seis pessoas em dois incidentes separados na localidade californiana de Isla Vista. Tinha 22 anos e se suicidou pouco depois.
2 de abril de 2014
Um novo ataque na base militar de Fort Hood deixa três mortos e 15 feridos quando um veterano da guerra do Iraque abre fogo contra seus companheiros. O atacante é identificado como Ivan Lopez, que se suicidou após a ação.
16 de setembro de 2013
Aaron Alexis, 34 anos e ex-reservista do Exército, assassina 12 pessoas e deixa outras 14 feridas ao atacar o Comando de Operações da Marinha em Washington, a menos de cinco quilômetros da Casa Branca e dois do Capitólio. O atirador foi morto.
14 de dezembro de 2012
Adam Lanza, de 20 anos, entra na escola de ensino fundamental Sandy Hook, en Newtown (Connecticut) e dispara 154 balas com um fuzil. Acabou com a vida de 20 crianças e seis adultos e depois se matou com uma pistola Glock. O impacto da matança reabriu nos Estados Unidos o debate sobre a posse de armas e as brechas na legislação que permitem ter fácil acesso a elas.
5 de agosto de 2012
Um veterano do Exército ataca uma instituição sikh em Wisconsin e mata seis de seus membros. O ataque deixa quatro feridos. O agressor, identificado como Michael Page e membro de um grupo supremacista, é morto por disparos da polícia.
20 de julho de 2012
James Holmes, de 24 anos, irrompe em um cinema de Aurora, Colorado, e atira contra os espectadores na estreia do último filme da saga do Batman. Usava uma máscara de gás e um colete à prova de balas. Assassina 12 pessoas e fere outras 58. Holmes poderia ter causado um massacre ainda maior: tinha deixado várias granadas prontas para explodir em seu apartamento no instante em que a polícia entrasse. O FBI conseguiu desativá-las antes.
8 de janeiro de 2011
Jared Lee Loughner  abre fogo durante um evento da congressista Gabrielle Giffords diante de um supermercado em Tucson, Arizona. Morrem seis pessoas, incluindo uma menina de nove anos, e outras 11 ficam feridas, entre as quais Giffords, que sobrevive a um tiro na cabeça que a obriga a retirar-se da vida política. Atualmente é uma das líderes do movimento pela regulamentação das armas.
5 de novembro de 2009
Um psiquiatra que atuava em Fort Hood, Texas, provoca a maior matança em uma unidade do Exército dos Estados Unidos. Mata a tiros 13 companheiros e fere outros 32 enquanto esperavam para vacinar-se na base militar antes de viajarem ao Afeganistão.
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Fonte: El País